segunda-feira

quando passamos a achar que precisamos ser apaixonados pelo nosso trabalho? que nossas relações teriam de ser hollywoodianamente felizes, completas, intensas? quando foi, afinal, que viver ficou tão superestimado?

trabalhar é chato. se fosse bom, ninguém pagaria você para sair da cama de manhã, passar a maior parte do seu tempo enfurnado em um escritório, entra dia, sai dia, por décadas. o trabalho faz parte da lista de coisas que precisamos fazer para sustentar aquilo que queremos fazer – comprar uma casa, conhecer a Índia, fazer aula de vela, jantar fora – ou pelo menos costumava ser assim. aí veio a tal da internet democratizar a criatividade e antes que perceba-se, nasce uma geração de pessoas que podem se dar ao luxo de fazer aquilo que gostam: escrever não é mais privilégio de poucos talentos selecionados a dedo pelas editoras, a fama não é  restrita ao elenco da Globo e ganhar dinheiro passa a ser uma consequência para muitos. e enquanto isso, o resto de nós faz o quê? poucas coisas são mais paralizantes do que uma infinidade de escolhas, e é o que o mundo nos parece oferecer.

como resultado, não conseguimos nos livrar da sensação de que deveríamos estar fazendo mais, diferente, melhor. vivendo mais, sentindo mais, aproveitando cada segundo porque, você sabe, a vida é curta e é uma só. essa expectativa da próxima coisa grande nos faz esquecer de que, no fim das contas, só nos resta o dia a dia. por mais bonito e enfeitado que seja a festa de seu casamento, é dormir e acordar com aquela pessoa que você escolheu, faça chuva ou sol, nos momentos de mais intenso amor e mais profundo tédio, que de fato constitui um casamento. por mais interessante e desafiador que seja o seu trabalho, é só isso, um trabalho. amanhã você pode mudar de carreira, de empresa, de país, e vai ser facilmente substituído, e tudo bem. talvez essa sensação de irrelevância seja exatamente a dose que precisamos para descer da nossa própria arrogância e encarar a semana como ela vier, grande ou pequena.

happy Monday.

child coffee

 

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