uma vida em séries

não sei dizer quando exatamente a minha obsessão por seriados começou. lembro de Punk, a levada da breca, dublado e de Party of Five quando a Neve Campbell ainda tinha seus vinte e poucos anos. lembro também de começar – e nunca mais parar – a ver Friends. de baixar os episódios da última temporada logo na época que começamos a ter banda larga e de ficar arrasada quando o seriado terminou. também lembro de treinar o inglês com a voz irritante da The Nanny e de querer ter os poderes da Pipe, em Charmed. de crescer junto com a Rory, de Gilmore Girls, ou acordar de manhã com Providence, logo antes da faculdade.
mais tarde, os seriados começaram a ficar mais dramáticos, com tiros, mortes, sequestros e, claro, casos amorosos – ER, The OC, One Tree Hill. ou só amorosos, como Sex & The City. aí veio LOST e meu primeiro vício coletivo. daqueles que você chega comentando no trabalho, conta os dias até o próximo episódio, e é capaz de assistir 3, 4, seguidos – se tiver atrasado. assisti até o fim, apesar de ter ficado um pouco decepcionada. nesse meio-tempo, o lance dos médicos bonitões continuou à toda e grudei em Grey’s Anatomy. a essa altura, a tecnologia já permitia assistir simultaneamente com o lançamento nos Estados Unidos, e assim faço nos últimos 9 anos.em 2012, fiquei órfã de Desperate Housewives – e da-lhe humor negro -, mas ganhei alguns novos vícios. primeiro, a canastrice de Revenge me conquistou. fazer o quê, não assito novela nem BBB, então me permito gostar de séries, por pior que elas sejam. aí, veio Game of Thrones. essa é daquelas mega produções, super bem-feitas, mas em compensação só tem 10 episódios por temporada (hunf). a sorte é que quando comecei a assistir a primeira, já tinha a segunda, então embalei.

é que nós, viciados em séries, sofremos com um hiato muito grande entre-safras. as temporadas da ABC, por exemplo, começam em setembro/outubro e terminam em abril/maio. já essas mais curtinhas, tipo GoT, ficam mais de seis meses fora do ar. aí você começa a assistir outra para suprir a necessidade e quando vê, já está acompanhando. foi assim com Homeland, meu mais novo vício. depois de devorar as duas temporadas em dois meses, estou novamente no hiato, consumida pela ansiedade do que vem pela frente.

nesse ínterim, o jeito é ficar com essas que dá pra acompanhar vendo apenas um episódio ou outro. as minhas do momento são Law & Order SVU, Private Practice, The Good Wife. e, claro, sempre um  ou outro episódio de Friends para não perder o hábito. porque não importa quantas vezes você tenha assistido, Friends, sempre será Friends.

 

Woody Allen e eu

costumo dizer que, fosse minha vida um filme, o roteiro seria do Woody Allen. poucas pessoas conseguem ser tão deliciosamente neuróticas, escancaradamente apaixonadas por NYC, aparecer em todos os próprios filmes e ainda tocar clarineta. um gênio. talvez por isso eu tenha ficado tão fissurada com essa recém-descoberta: um cineasta resolveu fazer ao Mr. Allen doze perguntas inusitadas. ou seja, perguntas às quais ele ainda não tivesse respondido 435 mil vezes antes. lá pela terceira vez em que estava assistindo o vídeo, me peguei pensando sobre as minhas próprias respostas. deu nisso:

1. Três celebridades por quem você teve/tem uma queda:
Goran Visnjic, o Dr. Kovac de ER; McDreamy, do Grey’s (sim, eu tenho um fraco por fake-médicos) e, claro, Dave Matthews.

2. Qual foi a coisa mais difícil de que você precisou abdicar por razões de saúde?
Ficar 1 mês sem queijo e derivados. aka, a morte.

3. Se você fosse uma amiga da Anaik, em vez de ser a Anaik, qual diria que é a coisa mais irritante na Anaik?
Essa seria uma longa lista, e possivelmente minhas amigas vão discordar, mas eu falo tanto, tanto, que às vezes até canso da minha própria voz.

4. Uma coisa que você fez quando criança e ficaria enloquecida se seu filho fizesse igual:
Absolutamente todas depois das 22h.

5. Você já deixou a barba crescer?
Ainda tenho dificuldades de deixar o cabelo crescer.

6. Uma pessoa que já morreu, a quem você não conheceu, mas gostaria de jantar com:
Pode ser com o Obama? Tá, com o Sinatra então.

7. Diga um filme que você gosta e sempre precisa defender, e outro que você não gosta e sempre precisa se explicar:
A saga Harry Potter e Forrest Gump, respectivamente.

8.  Se você tivesse que escolher entre nunca mais ver nenhum filme (novo ou antigo) ou nunca mais assistir a um evento de esportes, qual escolheria?
Essa é a mais fácil – e foi a resposta mais surpreendente do Allen. Fico com os filmes, sempre, mesmo que até ele tenha abdicado.

9. O que você escolheria: ficar preso num elevador, sem luz, por 30 min ou uma semana em um hotel de luxo cheio de bichos e música alta. 
Elevador. Poderia fazer quase qualquer coisa por 30 minutos, principalmente sem bichos.

10. Que habilidade/talento você não tem e gostaria de ter? 
Cantar, ao melhor estilo Adele-vozerão.

11. Qual seria sua última refeição no corredor da morte?
Trocaria a escolha da comida por poder escolher a companhia.

12. Você ganha de um anjo 100 anos de vida, mas tem uma opção: abater dois anos em troca de conseguir fazer seu grande filme no ano que vem. O que escolheria? 
Fiquei pensando no que seria a grande realização da minha vida e conclui que venderia os 2 anos fácil.

acho que vou levar esse questionário para o próximo jantar.

 

Paulo Coelho nas telonas

Durante muitos anos o autor brasileiro mais bem vendido – com 100 milhões de exemplares -, Paulo Coelho tem seu primeiro livro adaptado ao cinema. Veronika decide morrer estreia dia 21 em circuito nacional, assista o trailer.
Lançado em 1998, o livro foi na época apontado por trazer esboços autobiográficos, ainda que sob a máscara da ficção. A partir de sua própria experiência na juventude, Paulo Coelho fala sobre a“loucura controlada”, uma espécie de terceiro caminho entre o ousado e o convencional.A personagem, Veronika, parece ter tudo o que desejou. É jovem, bonita, bem sucedida e frequenta lugares populares, mas, mesmo assim, não é feliz. É por isso que, em uma noite regada por whisky e Radiohead (cortesia da versão cinematográfica), Veronika decide morrer.

O romance se passa em Lubljana, capital da Eslovênia, mas o filme, em Nova Iorque. A verdade é que a maior parte da história ambienta-se em uma clínica, onde Veronika vai se recuperar da overdose para descobrir que lhe restam apenas alguns dias de vida. Essa condição médica na veradade revela-se um truque do nada convencional psiquiatra responsável pela instituição, que acha que a moça precisa saber o que é não ter mais tempo de vida para aprender a apreciá-la. Enquanto está internada, Veronika se apaixona por um jovem catatônico, que ficou assim após um acidente de carro no qual sua namorada morreu. Os dois viram um casal, que acaba fugindo da clínica para encarar o mundo exterior e ser feliz.
Ainda que banhada de clichês, e também considerando o fato de que a protagonista Sarah Michelle Gellar é dificilmente indissociável de Buffy, a caça-vampiros que viveu na TV, a trama tem uma certa coerência narrativa e alguma profundidade dos personagens. Mas é só. Um filme fluido, com certo apelo aos limites da loucura e normalidade.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Estreou nesta semana o sexto e penúltimo filme da saga de maior sucesso da literatura contemporânea. Harry Potter e o Enigma do Príncipe é baseado no livro homônimo, o melhor de J.K. Rowling.
Lançado em 2005, o livro é também o mais sombrio, e funciona como uma prévia do último volume, que juntos, formam uma sólida unidade narrativa. A profundidade dos personagens – cujas angústias amorosas são retratadas – é mais um sintoma da evolução de Rowling como autora. O que começou como um livro infanto-juvenil com Harry Potter e a Pedra Filosofal, ganhou corpo em enredos mais bem construídos, enriquecidos por um maior número de personagens, e conquistou os mais diversos públicos.
Sentados nas poltronas do Kinoplex Itaim, na noite da última quinta-feira, estavam crianças, adultos, casais, famílias, adolescentes e pessoas mais velhas. O filme em nada decepciona os fãs do livro. Pelo contrário: com a qualidade técnica que marcou os cinco anteriores, Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um filme para comover gente grande. Tanto os encontros amorosos quanto o mais trágico dos finais são abordados com a mesma delicadeza que a autora imprime a sua prosa.
Considerando que a maior parte dos filmes que assistimos hoje são adaptações, e que muitas vezes o leitor sai frustrado de uma sala de cinema, a saga Harry Potter se consolida como um exemplo de bom roteiro, boa direção, bom elenco e excelente pós-produção.
Imperdível.

E por falar em Oscar…


Os prêmios da academia desta vez prestigiaram os amantes de adaptações de literatura para o cinema, como eu. Quem quer ser milionário, o grande vencedor da noite, levou para casa nada menos que oito estatuetas, incluindo melhor filme e melhor direção. A história de um menino que ganha uma fortuna em um programa de televisão na Índia foi adaptada a partir do romance premiado Sua resposta vale um bilhão (2005), de Vikas Swarup. Já O curioso caso de Benjamin Button, que recebeu 13 indicações mas só levou três prêmios técnicos – não houve Brad Pitt que desse jeito – é baseado em um conto homônimo de F. Scott Fitzgeral, da década de 20.

Kate Winslet, merecidamente premiada como melhor atriz por O Leitor, estrela outra adaptação que também entrou na lista dos indicados: Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) concorria na categoria de melhor ator coadjuvante com John Givings, mas ele não teve a menor chance diante do brilhantismo de Heath Ledger.

Fica o conselho do escritor alemão Bernhard Schlink para nossos autores:
“Um autor que espera que um filme reproduza suas próprias imagens não deve vender os direitos da obra. Ele só pode esperar que um diretor capaz ache novas e adequadas imagens para a história e o tema do livro.”

E rumo ao Oscar!