a pizza nossa de cada domingo

sou à favor de rituais e tradições. acho que eles nos ajudam a celebrar pequenos momentos do dia a dia, ao mesmo tempo em que criam uma expectativa saudável. as tradições não precisam ser eternas, elas podem ser reinventadas, adaptadas e, às vezes, até substituidas, dando lugar a novas. uma das tradições paulistanas que adotei é a pizza de domingo. desde a infância, domingo à noite tende a ser o momento mais deprê da semana. aquele gostinho amargo das horas livres chegando ao fim e a breve volta à rotina, a sensação de que os finais de semana deveriam durar mais do que dois dias…

por isso, nada melhor, mais aconchegante do que jantar uma boa pizza. com amigos, a dois, acompanhada por um vinho ou coca-cola, o importante é que tenha pizza. e a verdade é que Sp tem algumas das melhores pizzas do país – talvez do mundo -, de todos os preços, pra todos os bolsos. aqui, aprendi que pizza deve ser temperada com azeite, e não ketchup (talvez não exista hábito carioca que mais irrite o paulistano do que esse), exceto quando ela for muito vagabunda, aí vale tudo. em homenagem a esta pequena tradição, resolvi compartilhar minhas pizzas favoritas de Sp:

para pedir em casa…

* A Esperança – melhor Margherita da cidade, sem sombra de dúvidas

* Bráz – Funghi ou Caprese, pra mim tanto faz

* Camelo – todas fininhas, sou fã da quatro queijos

* 1900 – tradicionalíssima

…e para sair

* Veridiana – clima de bom papo, ótima adega de vinhos

* Margherita – também super tradicional, a pizza homônima é campeã

* Casa Pizza – o ambiente imita uma casa, com quarto, sala, cozinha. ótima para ir em grupo

* I Vitelloni – os azeites de vários sabores são uma atração a parte

* A Tal da Pizza – possivelmente a mais cara da cidade, mas vale a visita

* Quintal do Bráz – instalada em um casarão charmoso e arborizado

e, assim, mais um domingo acaba em pizza. boa semana a todos.

Toscana + Caprese da Esperança, a pedida da noite

restaurante ou balada?

(disclaimer carioca: balada é o paulixtês para night, adaptação regional para o post)

uma das novas manias da noite paulistana são os restaurantes-balada, nome que eu deliberadamente atribui para este tipo de lugar. na teoria, são restaurantes, desses com hostess na porta, fila de espera – e bota fila nisso -, mesas, guardanapos de pano, cardápios e garçons. mas na prática, o clima é de balada. música alta (muitas vezes com DJ), sofás de quatro lugares comportando grupos de 10, garrafas de vodka e champagne em cima das micro-mesas, pessoas de pé que formam um verdadeiro obstáculo para chegar ao banheiro.
o primeiro deste tipo que fui é o Brown Sugar, assim mesmo, como na música do Stones. depois veio o Brasserie des Arts, de algum lugar em Saint-Tropez – paulistanos adoram isso – e, mais recentemente, chegou por aqui o Bagatelle, que há algum tempo faz sucesso no Meatpacking District. da última vez que tentamos ir ao Bagatelle, em plena quinta-feira, às 20h, havia mais de duas horas de fila de espera, o que nos fez desistir. agora, estou planejando conhecer o Louis, filial de Miami – eu disse que paulistano gosta disso. o curioso é que, no próprio site, o lugar se define como ponto pré-balada. estranhei muito como, aqui em Sp, as pessoas saem para jantar – e beber – em um lugar badalado (leia-se caro) antes da tal balada propriamente dita. ou seja, na melhor das hipóteses, sua noite já parte de R$150/R$200. já no Rio, muitas vezes essa sequer é a conta total. se a proposta é sair pra dançar, ou ir pra night, como nós cariocas dizemos, então a pré (e não esquenta) pode até ser um barzinho, mas nada muito além disso.
a verdade é que, possivelmente, um lugar desses não teria demanda suficiente para lotar todos os dias no Rio, que dirá varios diferentes ao mesmo tempo. não canso de me espantar com a quantidade de restaurantes, bares e boates em Sp, todos sempre ulta-movimentados, a tal ponto que criei uma regra: se chegar em um lugar com menos de 15 minutos de espera nos horários de picos, pode ir embora, certamente não é bom. e o mais impressionante é que não param de abrir novos lugares. desde que me mudei, ainda estou tentado conhecer os mais tradicionais, aí tem sempre um do momento que me pega e pronto. isso porque nem saio muito do eixo itaim-jardins.
justiça seja feita: se nada bate um belo dia ensolarado no Rio de Janeiro, as noites paulistanas não deixam a desejar.
Moscow Mule no Brasserie – drink favorito de Sp
Brown Sugar e Rolling Stones all the way

sábado na Vila Madá

para nós, cariocas, é difícil admitir. mas a verdade é que existe vida aos finais de semana para além da praia. o sábado amanheceu ensolarado e pedia um belo passeio ao ar livre. mas dessa vez – em parte obrigada por uma crise de laringite – troquei o exercício físico do parque e das ciclofaixas por um programa diferente: uma tarde cultural na Vila Madalena.

a ideia começou para participar de um tour a pé pelas artes de rua e galerias da Vila, o PasseiÔ Conexão, projeto super bacana da minha amiga, Manu Colombo. guiados por ela, percorremos pontos da cidade que são coloridos pelo grafite, conhecemos galerias e lojas de decoração – sim, na última não resisti e levei um poster pro meu quarto. e lá se foram os planos de renovar as plantas da casa…

depois, um almoço bem paulista no Bar do Betinho – feijoada no boteco. é um hábito da cidade comer feijoada aos sábados (ou, como eles gostam de dizer, de sábado). como estamos em janeiro e, afinal, é verão em Sp, o dia terminou chuvoso. mas não antes de um último passeio pelas lojas do bairro, que são deliciosas e convidativas, de guarda-chuva e tudo – me lembro de ter mencionado que este é um item essencial para a vida em Sp. 

e aqui fica um desejo de mais sábados diferentes em 2013. enquanto isso, um bom domingo a todos!

programa paulista: domingo no Morumbi

na lista das desvantagens de morar fora, está o fato de você não poder mais assistir jogos do seu time. torcendo pelo Flamengo, ainda tenho sorte de pegar vários jogos na TV, mas a transmissão não é tão frequente e pay-per-view é um luxinho para quem mora sozinha. ir ao estádio então, virou um programa distante. mas neste domingo foi a vez de experimentar o lado paulistano do futebol: assistir a estreia do Ganso no São Paulo, em uma partida no Morumbi. até então, minhas únicas idas ao estádio tinham sido para ver shows. dessa vez, a experiência foi completa.

alguns fatos a se destacar:

  • A torcida – ao menos do SPFC – não é nem de perto tão animada quanto as cariocas.
  • Por outro lado, a torcida é vinte vezes mais civilizada.
  • O Maracanã é maior. Pensei em pesquisar para descobrir se é de verdade, mas desisti. Pra mim, parece maior e ponto final.
  • Paulista canta “putaqueOpariu…” em vez de “putaquepariu”. Vai entender.
  • Eu não conheço nenhuma das músicas de torcida.
  • Ir ao Morumbi num dia ensolarado é totalmente suportável.
  • O Rogério Ceni é um mala (sempre bom lembrar).
na conta final, foi um programa divertido. o São Paulo ganhou do Náutico, o Ganso jogou quase o segundo tempo inteiro e levantou a torcida. a operação de chegada/saída foi bem tranquila e, no final, tudo acabou em pizza. afinal, domingo em Sp é dia de pizza.

novidades no feriado

se há uma coisa que são paulo tem de bom é a incrível variedade de restaurantes, bares, nights/baladas e afins. desde que me mudei, tento fazer uma combinação de saídas que combine conhecer os mais tradicionais, frequentar os lugares da moda e voltar aos que já conheço e adoro. no topo da minha lista, estão o Ritz e o Maní.  amo a comida leve e o ambiente despretensioso do Maní – se comparado a outros da mesma categoria -, mas, por causa do preço, é um lugar onde consigo ir uma, duas vezes por ano. já o Ritz é uma espécie de extensão da minha cozinha. acho que, quase uma vez por semana, vou ou peço comida de lá. os bolinhos de arroz por mim podiam se chamar bolinhos da felicidade. e como prato principal, adoro as massas, mas tem opção pra todos os gostos – saladas, grelhados, hambúrger. imperdível também é a moqueca de camarão, que eles servem aos domingos.

mas neste feriado, fui conhecer duas novidades no Itaim. na quarta-feira (14) inaugurou o La Maison est Tombée, dos mesmos donos do Vaca Veia e Madureira. o Vaca é um ponto tradicional da capital paulista, no melhor estilo Baixo Gávea meets Informal. sempre badalado, de segunda a segunda, as pessoas se aglomeram na esquina da Pedroso Alvarenga com a Manuel Guedes. agora, na casa nova, os donos acrescentaram um toque francês, que mais lembra o Pastis, de NYC. sai o mineirinho de filé e entra o croque monsieur. esqueça os shots de busca vida no balcão e peça um dos drinks da casa, como o abajour. pelo movimento da primeira noite, parece que a fórmula de sucesso tem tudo pra se repetir.
versão francesa do Vaca
e na manhã do feriado chuvoso, foi vez de conhecer o Mr. Baker, uma espécie de mini-padaria estilosa que prima pelos ingredientes orgânicos. num espaço apertado, com duas mesas pequenas, uma comunitária e um balcão, os garçons disputam espaço com clientes que passam para levar os pães e doces para casa, ao mesmo tempo em que nós tentávamos tomar um cappuccino e comer um dos sanduíches-especialidade da casa. a proposta é boa, o preço, mais razoável do que a média, mas a qualidade do atendimento ainda é fraca para um lugar há mais de 4 meses em funcionamento. essa é a questão sobre são paulo: deixa você um cliente muito mais exigente.
brunch no Mr. Baker
na minha comparação esdrúxula, o Itaim é o Leblon de sp. Moema é Ipanema, os Jardins, a Lagoa/Gávea, e a Vila Nova o Jardim Pernambuco. não é de se espantar, portanto, que haja tantas novidades no bairro. e se dizem que a maioria dos restaurantes sem sucesso fecham as portas nos primeiros 6 meses-1ano, que fiquem os melhores.