Londres, nova paixão

qualquer um que já tenha lido meu blog, sabe que sou uma apaixonada declarada por nyc. manhattan me conquistou de vez há dez anos, mas nós já flertávamos desde a infância, época em que meus avós viajavam para lá todo ano e voltavam encantados pela cidade – e, mais importante, com uma mala cheia de presentes. diria que eu estava destinada a amar nyc. de lá pra cá, fiz a minha própria história com a ilha, realizei um sonho infantil de visita-la com os dois e voltei outras e outras vezes. mas, nyc, depois desse tempo todo de relacionamento, não há outra maneira de dizer isso: londres roubou meu coração.

muitas pessoas já haviam me dito que eu amaria londres, que era a minha cara. quase como as amigas de adolescência que garantem “você precisa conhecer esse menino, é sua alma gêmea!”. e é. bastaram cinco dias na terra da rainha para eu cair de amores. a combinação do histórico com o moderno, aquela arquitetura com aquele sistema de transportes, as infinitas línguas que você ouve por toda parte, o charme europeu com a efervecência de uma grande metrópole. aqueles mercados – Borough, Camden, Portobello. admito que sou razoavelmente adaptável, mas a sensação de mudaria-para-cá-amanhã ainda era privilégio exclusivo de manhattan. era.

[momentos]

reconhecimento de território
Notting Hill merecia mesmo um filme
Fotografando o Borough
Markets e mais markets
Por mais tradições
Cerveja na calçada às 9pm @ Covent Garden

a arte de (não) saber fazer mala

dizem que a prática leva à perfeição. no meu caso, essa regra aparentemente não se aplica ao dom de fazer mala. não importa quantas vezes eu viaje – nem são tão poucas assim -, a hora de fazer as malas é sempre precedida por um pequeno pânico. começa pela vontade de ser compacta – invejo imensamente as pessoas capazes de passar dias e dias apenas com uma mala de mão -, passa pela conclusão de que eu não possuo nenhuma das peças que preciso para sobreviver e termina no drama dos sapatos. por exemplo, para mim, sapatilha é um item essencial. já passei uma semana inteira em viagem de trabalho só com uma dessas. o problema é quando você vai ficar batendo perna. e se chover? levo minhas galochas? mas bota ocupa tanto espaço na mala… e por aí vai.

fazer as malas nada mais é do que tentar controlar o imponderável. por melhor que seja a previsão do tempo, você nunca sabe se vai chover; ou se vai ter uma dor de estômago, se a calça jeans vai rasgar, se vai optar por um restaurante mais chique. por isso, bons frutos da geração hiper-informada que somos, passamos os dias que antecedem a viagem escarafunchando a internet e tentando fazer dela previsível quando, na verdade, a melhor parte de viajar é exatamente escapar do conhecido, da rotina, das obrigações.

então talvez a solução seja se jogar no imprevisível, embrace the messiness of life, como diriam os americanos . em último caso, sempre haverá uma GAP da vida para nos socorrer.

 

dez anos de NYC

este ano, fazem dez que desembarquei na times square, vindo em um ônibus de washington, DC, na companhia de duas das pessoas que mais amo nesse mundo. eu ainda não sabia – mas suspeitava – que me apaixonaria de vez por aquela cidade. era janeiro, todas as esquinas estavam geladas, mas tudo era novo: da estátua da liberdade ao central park, da broadway ao jazz no village, passando pelo empire state e rockefeller. dez anos mais tarde, quando o efeito novidade já passou há muito, a alegria vem do familiar, das férias sem pressa, sem obrigação. do prazer de entrar no metro sem mapa, de voltar ao seu restaurante favorito, de descer para downtown dia e noite, mesmo que você teime em pagar menos pela hospedagem uptown.

manhattan tem uma magia no ar. uma alegria que vem pelo simples fato de estar lá. você nem liga para a sujeira do metro ou para a neve que atrapalha seus planos, porque if the city never sleeps, neither will you. já diria meu avô que, na ilha, até o lixo é bonito. e não é que ele sempre tem razão? isso sem falar na constante mania que a cidade tem de lhe surpreender. seja com um velhinho tocando In my life na estação da  23rd st ou com um encontro inesperado com o empire, já iluminado, em pleno entardecer, numa esquina qualquer.

como se nada disso bastasse, NYC tem a capacidade incrível de colocar pessoas no seu caminho. em jantares completamente aleatórios, em passeios pelo high line, e até em um jogo do Super Bowl, perdi as contas de quantas amizades começaram por lá e certamente vão ficar. afinal, mais uma vez recorrendo ao Sinatra, if you can make it there, you can make it anywhere.

não faltam camisetas, canecas, ímãs e chaveiros que estampem, mas também quero dizer aqui: I (heart) NY. nos vemos em breve…

cinco coisas que todo viajante deveria saber (ou fazer)

funciona assim: depois de um certo número de milhas acumuladas, você vai adquirindo seus próprios hábitos de viagem. são pequenas regras de convivência que, pelo menos na sua cabeça, funcionariam para agilizar e tornar menos doloroso o processo de aeroporto. assim, secretamente, você deseja que todos ali compartilhassem dessas boas maneiras. ou se ao menos fosse o prefeito de Congonhas e pudesse por ordem na casa… as minhas seriam essas:

* depois de passar pelo raio-x de segurança vá até o final da esteira. aí você não atravanca o fluxo de quem vem atrás – acredite, na hora do rush isso faz toda a diferença.

* ainda sou a favor da criação de voos child-free. mas como não inventaram desses, aqueles que viajam com os pequenos precisam ser capaz de controla-los. deixar o seu filho chutar a cadeira da frente ou gritar o quanto quiser não é bacana.

* a etiqueta dos aeroportos – e a pura lógica – diz que o desembarque deve ser feito por ordem de fileiras. portanto, espere a pessoa que sentou mais para frente levantar, pegar sua própria mala, e, aí sim, ser a sua vez. a alternativa é pegar assentos mais para frente em outra ocasião.

* não adianta esperar a mala grudado na esteira de bagagem – ela não virá mais rápido. fique suficientemente perto para ver, mas não para bloquear a passagem das outras pessoas cujas malas de fato chegaram. 

* para voos noturnos, luzes apagadas significam hora de dormir. mesmo que você seja daqueles que não dorme em absoluto e tenha encontrado sua alma-gêmea na poltrona ao lado, não é legal passar a noite falando pelos cotovelos enquanto os outros tentam, sem muito sucesso, dormir. 

e para você, quais são as regras?

George Clooney no filme Up in the Air

o que você deveria saber sobre: Pipa, RN

a Praia da Pipa é um destino comum para quem visita Natal, no Rio Grande do Norte. a pouco mais de uma hora da capital, a região atrai turistas por sua beleza natural. aqui, minhas impressões e algumas dicas, depois de passar uma semana por lá:

há muitas praias para explorar – e são lindas. esqueça a praia do centro, como é chamada a própria Praia da Pipa. nas redondezas as praias são limpas, mais vazias e imperdíveis. conheci – e adorei, nesta ordem: Baía dos Golfinhos, Barra do Cunhaú, Praia das Minas, Praia do Madeiro, Praia do Amor, Tibaú do Sul.

vale a pena acordar cedo. a Baía dos Golfinhos, praia que fica a uma breve caminhada do centro, é conhecida pelos muitos golfinhos que nadam desinibidos por lá. mas nem tão desinibidos assim. uma vez que as escunas, barcos e turistas enchem o mar, eles batem em retirada. então quanto mais cedo chegar, mais chance de ver os bichinhos. nós tivemos a sorte de, ainda com a praia vazia, ver vários.

decore os horários das marés. acredite, não é papo de pescador: em Pipa, isso importa. por causa das falésias, os acessos às praias são via outras praias – o que depende da maré baixa para passar pelas pedras – ou pelas escadarias. mas em alguns casos, o único acesso é mesmo via areia, então vale ficar de olho. a janela são as três horas anteriores e posteriores ao horário da maré baixa.

deixe o cartão de crédito em casa – e leve dinheiro em espécie. quase lugar nenhum – mesmo os mais fancy – aceitam cartões e é uma verdadeira epopeia conseguir sacar dinheiro por lá. caixa do Itaú, por exemplo, não existe, nem banco 24 horas. e os únicos bancos estavam sem dinheiro. fomos salvos pelo bom e velho talão de cheques.

dá para comer muito bem. meus restaurantes favoritos: Aqui, um bistro francês a céu aberto, com uma bela vista; Lampião, onde comemos um camarão delicioso num almoço de fim de tarde; Tapas, um dos mais famosos (e cheios, chegue cedo) da área, que serve, claro, tapas espanholas.

o centrinho fica insuportavelmente cheio. pelo menos essa foi a realidade na semana de reveillon. passar de carro por lá à noite, impossível. a pé, já um belo desafio. mas dá para curtir esses restaurantes nas ruas adjacentes e fugir da muvuca. ou preparar alguma coisa na pousada mesmo.

considerando tudo, Pipa é um gostoso cantinho do Nordeste, que merece ser visitado.

Praia do Madeiro, vista de cima
o acesso à Praia da Mina é a pé, ou com um 4×4
Baia dos Golfinhos
Vista do almoço, no Lampião
Barra do Cunhaú, uma praia quase deserta